O prazer em aprender passa pela Arte de Contar Histórias, nesta caminhada uma pessoa muito especial que aprendi a respeitar: Gilka Girardello.
Já estamos com saudades...
Esta foi uma das lindas histórias que ouvimos nesta semana, mas também muito significativa!
Uma história em busca de quem a escute
Na Índia, o sétimo dia do mês dedicado ao deus-sol,
Uma velha senhora tomou seu banho ritual de purificação - dos pés à cabeça. Ela tinha que contar a alguém a história do deus-sol.. Um punhado de arroz amarelo de açafrão
Mas todas as pessoas que ela encontrava estavam com muita pressa:
Os filhos partiam em correria para falar com o rei
Os netos tinham que ir para a escola
A nora estava cuidando do bebê.
A velha senhora foi nas lavadeiras, mas elas estavam indo pra casa.
Quem quer que ela abordasse, não conseguia encontrar um único ouvinte: oleiros, brâmanes,, fabricantes de cesta, lenhadores - ninguém podia dar uns minutos de atenção para ouvir a história.
A velha senhora estava triste, mas tinha paci6encia. Chegou à ruazinha dos vendedores de sal e encontrou uma mulher grávida.
-Sim, eu escuto, mas estou com fome! Preciso comer um pudim
doce!
A velha senhora foi para casa e fez o pudim, a mulher grávida comeu tudo. Mas caiu num sono profundo. A velha senhora esperava, com o arroz na mão fechada.
-Por que não contas a história para mim? - disse a criança no ventre da mulher.
A velha senhora ficou encantada e contou a história dos domingos do mês de Magha para aquela barriga redonda. Depois, cantou:
Onde quer, que você vá
Vilas desertas enriquecerão
Pérolas florescerão
Dos simples ramos secos do algodão
Frutos doces brotarão de velhas árvores
Velhas vacas terão leite
Damas estéreis, terão bebês
Jóias perdidas se encontrarão
E homens mortos reviverão
Ah, criança, terás tantos e tais poderes que farás saltar de alegria o coração de um rei!
A mulher acordou, a velha senhora pediu que ela lhe avisasse quando a criança nascesse, se era menino ou menina.
Nasce a criança: é uma menina.
A velha senhora leva presentes: um sari, um vidrinho de óleo, ervas medicinais.
Com o sari, faz uma rede, ata-a a um galho da floresta, pede que as árvores embalem o bebê colocado ali dentro e que os pássaros cantem a canção de ninar. Agora a mãe da criança podia ganhar a vida durante o dia. E foi-se embora.
Naquela época, o rei daquele país passou pela floresta. Ouviu o canto, viu o bebê.
-Essa menina vai ser tua esposa. Leva-a contigo e casa-te com ela - disseram os passarinhos. Assim fez o rei. Pediu que os passarinhos avisassem a mãe do nenê e que ela fosse morar com eles no palácio.
No caminho, passou por uma vila deserta que virou uma bela cidade cheia de vida. Pararam para descansar em um campo seco de algodão: as sementes viraram pérolas. Velhas vacas começaram a dar leite, árvores se encheram de rotos e logo de frutas. E naquele ano, no palácio, a mulher do rei, que nunca tinha conseguido Ter filhos, foi abençoada por uma criança.
A filhinha da vendedora de sal tornou-se uma menina grande, uma jovem mulher, e quando chegou o tempo certo, o rei casou-se com ela.
A primeira esposa não ficou nada contente com aquilo e tinha ciúme daquela jovem e boa rainha, vinda sabe-se lá de onde. Num acesso de ciúme, juntou todas as jóias do palácio e numa caixa jogou-as ao mar. Pescadores pegam um peixe enorme, levam-no à rainha. Ela torce o nariz e o manda à jovem rainha. Esta o prepara e acha as jóias.
O rei ficou sabendo e lembrou-se da canção. Jóias perdidas tinham sido reencontradas. Faltava só uma coisa. E o rei decidiu por à prova o último dos poderes da sua jovem rainha. O poder de dar a vida aos mortos. Após o jantar, foi ao quarto, tomou veneno e caiu morto.
As duas esposas se prepararam para o sacrifício. O corpo do rei era preparado e também a jovem se preparava para unir-se ao marido na morte.
Oc, toc: um brâmane. Lava-me os pés, lava teus pés. Bebe um gole d água. Prepara-me um banho, toma um banho também. Perfuma-te com pasta de sândalo. Fez com que ela cumprisse todo o ritual de purificação que um brâmane faria.
A jovem aflita pela morte do marido, e apressada para ir ao lugar onde o corpo esperava para ser cremado. Até que o brâmane disse quem era.
Ele era Adinarayana, o deus-sol sobre quem a velha senhora tinha contado a história antes da moça nascer, quando ela ainda era um bebê na barriga da sua mãe. Deu a ela um punhado de arroz colorido de açafrão. E desapareceu.
A jovem correu à pira, fez o ordenado e o rei acordou-se na sua cama de lenha tão descansado como em uma cama de almofadas de seda. Quando lhe perguntaram como tinha acontecido aquele milagre, ela contou que recebera aqueles poderes mágicos por ouvir a história dos domingos do mês de Magha antes mesmo de nascer.
O rei ficou pasmo e maravilhado, dizendo: Vejam o poder que se ganha quando simplesmente a gente escuta uma história!
fonte: http://www.rodadehistorias.ufsc.br/
Esta semana tive o prazer de participar de um Curso muito especial, "A Arte de Contar Histórias" com Gilka Girardello. Uma das histórias que estudamos foi Urashima um conto do folclore japonês. Uma das participantes falou sobre uma antiga propaganda da Varig feita para comemorar o primeiro voo da empresa para o Japão, pesquisando na net encontrei o vídeo abaixo.
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